Maria trabalha de doméstica. Tem 60 com cara de 75. Trabalha, entre suas idas e vindas das casas, para Carla, que tem 40 e que adere a estética do liso que acabou deixando-a redonda. Por que? Pois leva a vida como dá. Vai levando e levando… Sempre foi assim, se agarrando ao de que mais imediatamente fizesse distrair a sua dor e seu tedioso modo de vida. Limpa casa e consome notícias, sem pensar com uma perspectiva maior, que se importasse mais com o futuro. Estranho? Talvez seja o que mais vemos e fazemos hoje. Quem não faz isso ao se perceber perdendo tempo rolando o feed de redes sociais? Estranha acrasia…, mas o cotidiano tira a consciência de que se escolhe algo errado que se tem que ter para ser acrasia. Não se percebe a má escolha da própria vida e, talvez por isso, acredite que “cada um cuida da sua vida”. Se torna a vida, quem sabe, sobrevivência? Resolvemos de imediato os problemas, mas continue com seu coração batendo. Um certo niilismo medroso da morte?

E em que isso resulta? Já se a falta de consciência começa em si, ela nunca chegará ao outro. Carla nunca percebe que Maria está mais velha do que devia. Muito menos sabe que a mãe de Maria teve a mesma história de vida que Maria, mas teve que parar de trabalhar aos 80, pois sentia muita dor nos nervos.

Estudante de filosofia da UFES

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