Falarei sobre algumas coisas que o capitalismo faz conosco.

Primeiro preciso de uma das maiores contribuições filosóficas de Marx e Debord: o fetiche da mercadoria e a reificação. As nossas relações sociais de produção de mercadoria são mascaradas pelo mercado e isso gera um fascínio pela mercadoria, ela adquire as qualidades que na verdade estão nas relações de produção. A mercadoria começa a parecer algo mágico. Qual mágica o dinheiro, que também é uma mercadoria atualmente, faz para reproduzir a si mesmo? Esse é o fetiche feito na mercadoria que depende de uma alienação do trabalhador pelo o que ele produziu. Nesse modo de produção da sociedade ocorre também a reificação, que é uma forma de alienar-se de si mesmo. Ora, como a mercadoria que é a coisa viva e que realmente transita na sociedade, nós nos tornamos o objeto usado por ela. Nossa relação sujeito-objeto é invertida pela mercadoria. …


O capitalismo nos apresenta situações sobre o racismo que tem que ser analisadas com atenção:

O capitalismo pede certa paz, segurança, o dinheiro transitando livre, a não-guerra. A Carta Sobre a Tolerância (1689) de John Locke alerta os países para fazerem comércio entre si independente de religião e sem fazer guerras que impeçam o livre curso do capital. Esse movimento para o capitalismo se expandir livremente buscando uma inclusão cada vez maior de pessoas continua, por exemplo, com a inclusão de grupos minoritários no mercado. Como fez a Magazine Luiza com políticas de colocar na gerência das lojas pessoas negras.

Então se pensa: Maravilha! O capitalismo, mesmo que de sua maneira liberal, reduz o racismo incluindo pessoas pro mercado. Verdade. Só uma direita muito retrógrada vai contra um projeto assim. …


É dito que algumas pessoas riam de Sócrates e o chamavam de louco.

Primeiro é importante dizer que Sócrates fazia perguntas do âmbito moral, como o que é a justiça, a devoção, o belo, o bom. E nessa conversa em algum momento, pelas perguntas de Sócrates, era respondido duas premissas e uma negava a existência da outra, elas não podiam existir juntas. Era um paradoxo: ou assumia uma das premissas como corretas ou anulava as duas e recomeçava a investigação. …


Texto publicado aqui também.

Buscar estar em comunidades. Peter Sloterdijk vai dizer que já na barriga da mãe somos dois, bebê e placenta. Após o choque que temos ao nascer o que tentamos fazer é retornar a essa situação de duplo, ai buscamos o amigo imaginário, os colegas, professores e por aí vai.

Em tempos mais remotos, nós tínhamos certa facilidade de entrar nessa situação de duplo como ocorria com a na antiguidade com o cuidado da polis e na era medieval com Deus. Mas na nossa sociedade atual, onde Deus está morto, acabaram os sindicatos, as comunidades de bairro, fábricas, escolas que particularmente no Brasil perderam a capacidade de servirem como elemento de formação para a atividade da vida profissional, a invenção do empresário-de-si-mesmo sem patrão, enfim, o modo de vida neoliberal, muitos de nós sedentos por essa conexão com a sociedade, que é estar em duplo, acabamos sendo atraídos para igrejas que muitas vezes educam as pessoas para serem submissas e objeto de exploração. …


Maria trabalha de doméstica. Tem 60 com cara de 75. Trabalha, entre suas idas e vindas das casas, para Carla, que tem 40 e que adere a estética do liso que acabou deixando-a redonda. Por que? Pois leva a vida como dá. Vai levando e levando… Sempre foi assim, se agarrando ao de que mais imediatamente fizesse distrair a sua dor e seu tedioso modo de vida. Limpa casa e consome notícias, sem pensar com uma perspectiva maior, que se importasse mais com o futuro. Estranho? Talvez seja o que mais vemos e fazemos hoje. Quem não faz isso ao se perceber perdendo tempo rolando o feed de redes sociais? Estranha acrasia…, mas o cotidiano tira a consciência de que se escolhe algo errado que se tem que ter para ser acrasia. Não se percebe a má escolha da própria vida e, talvez por isso, acredite que “cada um cuida da sua vida”. Se torna a vida, quem sabe, sobrevivência? Resolvemos de imediato os problemas, mas continue com seu coração batendo. …


Moro no interior do Espírito Santo em Alegre, pequena cidade de menos de 30mil habitantes.

O que venho propor aqui é uma análise de como a música se organiza nessa pequena cidade e, fazendo isso, podemos exagerar e criar o “tipo Alegre com o trato da música” que pode ser compartilhado por outras cidades em todo Brasil. Não será fidedigno com toda cidade, mas será uma boa caricatura para se pensar.

Para os que tem interesse em aprender música em Alegre, haverá três formas de se organizar para entrar nesse âmbito musical, caso o interessado tenha condições financeiras para tal. Um deles é pagar uma aula particular com algum professor, podendo ser até virtualmente. Outra é a instituição da igreja, que educa muitos músicos há muito tempo já. A última é o aprendizado em volta de uma música que não necessariamente requer um conhecimento sobre a música teórica, mas muitas vezes apenas de um conhecimento técnico sobre um aplicativo para modular a voz, inserir ritmos etc. …

About

Braz Delpupo Neto

Estudante de filosofia da UFES

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